Dados recentes revelam
que 9 em cada 10 doentes com cancro do pulmão sofrem impacto emocional
associado ao diagnóstico3. No âmbito da 6.ª edição da campanha “O
Cancro do Pulmão Não Tira Férias”, especialistas alertam que o estigma continua
a alimentar silêncio, isolamento e pode contribuir para atrasar a procura de
cuidados de saúde numa doença onde o tempo é determinante. 1,2
Mais de três
em cada quatro doentes (76,7%) referem medo da progressão da doença ou de que
os tratamentos deixem de ser eficazes, 53,7% reportam tristeza após o
diagnóstico, cerca de 1 em cada 4 é diagnosticado com depressão ao longo da
doença e 1 em cada 5 é diagnosticado com ansiedade3. Estes dados dão
mote à 6.ª edição da campanha nacional “O Cancro do Pulmão Não Tira Férias”, que regressa este verão para dar visibilidade ao impacto psicológico da
doença e ao estigma que continua a acompanhar muitos diagnósticos.
Em Portugal,
o cancro do pulmão continua a ter uma expressão significativa. Em 2024, foram registados
6.148 novos casos no país, assumindo-se como a quarta neoplasia mais
diagnosticada. No entanto, lidera o número de mortes por cancro, com 5.589
óbitos registados nesse mesmo ano.4 A nível mundial, foram
diagnosticados cerca de 2,6 milhões de novos casos e mais de 1,8 milhões de
pessoas morreram devido à doença, segundo dados do Globocan.5
Apesar desta
dimensão epidemiológica, e ao contrário de outras patologias oncológicas, o cancro
do pulmão continua frequentemente associado a uma perceção de responsabilidade
individual, sobretudo pela sua ligação ao tabagismo. Esta
associação pode contribuir para sentimentos de culpa, vergonha e auto-responsabilização, mesmo entre
pessoas que nunca fumaram ou quando existem outros fatores de risco envolvidos.1
“O cancro do
pulmão continua a ser uma das poucas doenças em que muitos doentes sentem
necessidade de explicar porque adoeceram. Esta culpa pode aumentar o sofrimento
emocional e criar barreiras precisamente no momento em que a pessoa mais
precisa de procurar ajuda”, afirma Jorge Ferreira, Presidente da Sociedade
Portuguesa de Pneumologia.
A evidência científica
tem vindo a demonstrar que o estigma associado ao cancro do pulmão não
tem apenas impacto emocional. Pode influenciar a forma como os doentes
comunicam sintomas, procuram apoio, interagem com os cuidados de saúde e vivem
a doença no seu contexto familiar, social e profissional. Estudos
associam o estigma a maior isolamento, pior qualidade de vida, mais
sintomas depressivos e atraso na procura de ajuda médica1,2.
Apesar de o
tabagismo continuar a ser o principal fator de risco modificável para cancro do
pulmão, especialistas defendem que a prevenção não deve transformar-se em
culpabilização1,2. O cancro do pulmão é uma doença
multifatorial, podendo estar associado também a exposição ambiental, fatores
ocupacionais ou predisposição genética.6
“Continuar a
informar sobre os fatores de risco, incluindo o tabagismo, é essencial. Mas
prevenir não pode significar culpabilizar. Nenhuma pessoa deve deixar de falar
sobre sintomas, procurar apoio ou recorrer aos cuidados de saúde por receio de
ser julgada”, Isabel Magalhães, Presidente da Pulmonale.
O combate ao
estigma é hoje considerado uma dimensão importante na abordagem ao cancro do
pulmão, numa altura em que o diagnóstico precoce continua a ser determinante
para melhorar resultados.1,2
A campanha “O
Cancro do Pulmão Não Tira Férias”, promovida pela AstraZeneca, regressa este
verão com o apoio de um conjunto alargado de parceiros institucionais, entre os
quais a, Associação Careca Power, Associação Pulmonale, Associação Portuguesa
de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias
da APMGF (GRESP), Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), Associação
Nacional das Farmácias (ANF), a Câmara Municipal de Lisboa e a CP – Comboios de
Portugal. Através de ações de sensibilização em espaços de grande visibilidade,
pretende-se chegar a mais portugueses com mensagens claras, baseadas em
evidência científica e adaptadas ao público em geral.
Em 2026, a
campanha regressa com uma mensagem renovada: dar visibilidade à dimensão
invisível da doença e, assim, combater o estigma é também aproximar as pessoas
dos cuidados. Porque o cancro do pulmão não tira férias e ninguém deve
enfrentar a doença em silêncio por medo de ser julgado.
Referências
1.
McCann S, Vehar L, Dunne S. A
systematic review of the factors associated with lung cancer stigma. Soc
Sci Med. 2026 Jul;400:119301.
2.
Carter-Harris L. Lung cancer
stigma as a barrier to medical help-seeking behavior: Practice implications.
J Am Assoc Nurse Pract. 2015;27(5):240-245.
3.
Lung Cancer Europe. Lung Cancer
and Mental Health – 10th LuCE Report on Lung Cancer, 2025, pp. 1-92.
4. Global
Cancer Observatory. Portugal Fact Sheet. International Agency for
Research on Cancer. 2024: https://gco.iarc.who.int/media/globocan/factsheets/populations/620-portugal-fact-sheet.pdf. Consultado em julho de 2026.
5.
Global Cancer Observatory. World
Fact Sheet. International Agency for Research on Cancer. 2024: https://gco.iarc.who.int/media/globocan/factsheets/populations/900-world-fact-sheet.pdf.
Consultado em julho de 2026.
6. American
Cancer Society. Lung Cancer Risk Factors https://www.cancer.org/cancer/types/lung-cancer/causes-risks-prevention/risk-factors.html. Consultado em julho de 2026.

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