
"A guerra que estamos a viver neste preciso momento é também uma guerra dos média, lugar para onde se deslocou grande parte deste conflito," asseguram em conversa com a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) as mesmas fontes, que preferem manter o anonimato por razões de segurança. Ao mesmo tempo denunciam "a mentira, a confusão, o obscurantismo que estamos a viver neste momento é tão grave como o disparo de balas porque criam uma psicose de guerra, uma psicose de medo".
A imparcialidade afecta ambas as partes do conflito. "Os media afectos ao Governo não informam sobre os disparos da polícia ou dos paramilitares e quando fazem alguma referência é só para dizer que a culpa é dos Maras (grupos de crime organizado). Por sua vez, os media que não alinham com o Governo inventam rumores infundados e "também não informam se houve morte de polícias e pessoas relacionados com o regime ou quando incendeiam os escritórios das câmaras municipais. Exemplo disto seria a morte de três camponeses no passado Domingo por serem próximos da frente Sandinista, facto "que não saiu nos média que não pertençam à frente".
Novamente, de acordo com a mesma fonte, uma das maiores preocupações prende-se com aradicalização das duas frentes desde o início do conflito no passado 18 de Abril, quando os cidadãos foram convocados através das redes sociais a recusar as reformas do Instituto da Segurança Social que previa um aumento da quota a pagar pelos trabalhadores da Nicarágua e ao mesmo tempo um corte nas pensões e reduções dos apoios sociais. Os confrontos surgiram quando os partidos que apoiam o Governo do presidente Daniel Ortega saíram à rua para apoiar as reformas. Desde então a repressão e a violência por parte das forças paramilitares que apoiam o Governo, contra as pessoas que protestam não pára de aumentar.
"Importa lembrar que há 30 anos houve uma guerra civil na Nicarágua. Neste momento as feridas foram reabertas e estão a ficar cada vez mais profundas. É ódio." Por esta razão, neste momento é urgente criar "processos de reconciliação. Os verdadeiros apóstolos são aqueles que falam de perdão, perdão, perdão".
O Cardeal Mauro Piacenza, presidente internacional da Fundação AIS, ao procurar responder ao apelo dos bispos da Nicarágua no seu comunicado do dia 14 de Julho, realça a importância das campanhas de oração pela Nicarágua promovidas em diferentes países do mundo pela Fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre.
"Em tempos difíceis como estes que a Nicarágua está a atravessar, o povo vê na Igreja um grande apoio moral. Portanto é fundamental apoiar a Igreja nesta difícil tarefa. A missão central da Fundação AIS é acompanhar a ajuda pastoral com a informação, para chamar a atenção de todas as comunidades cristãs e do mundo inteiro sobre estes dramas violentos e dolorosos. Mas acompanhar também com a oração que é o motor e a força para todas as mudanças", acrescenta o Cardeal Piacenza.
Departamento de Informação da Fundação AIS | ACN Portugal
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