
Com efeito, Jesus é a luz do mundo e veio à terra para vencer as trevas e comunicar a verdadeira luz aos corações que a querem receber, capacitando-os para espalharem à sua volta os reflexos da luz que os habita, através de palavras sábias, de gestos fraternos e acções de misericórdia. Nesse modo de proceder se reconhece a genuína celebração do Natal.
Há muitas celebrações natalícias que se afastam dessa perspectiva da fé. Acentuam as manifestações festivas, valorizam o convívio familiar, concentram-se no lazer e no descanso. Todas são legítimas. Mas esvaziam o Natal do seu sentido original e autêntico. O Natal cristão celebra o nascimento de Jesus, o Salvador, prometido na aurora dos tempos, anunciado pelos profetas, nascido da Virgem Maria, na “plenitude dos tempos”, na pequena cidade de Belém. E continua a nascer, ao longo dos tempos, não em grutas mas nos corações daqueles que lhe abrem a porta.
Nesta sociedade tão marcada por situações de carência económica, de abusos de confiança, de atropelos à justiça social, de desrespeito pela dignidade humana, a celebração do Natal perderá o seu sentido original se ignorarmos as carências que existem à nossa volta e permanecermos fechados no nosso pequeno mundo.
O Verbo de Deus saiu do seio do Pai e veio ao encontro da humanidade. O Natal convida-nos a sair da nossa zona de conforto para irmos ao encontro de quem precisa da nossa presença e da nossa ajuda. Comecemos por abrir os olhos e os ouvidos. Reparemos nas carências de vária ordem que existem à nossa volta. Ouçamos os clamores que se levantam perto de nós. Deus ouviu o clamor do povo e veio ao seu encontro. Ouçamos também nós as vozes dos que clamam por justiça, dos que pedem ajuda, dos que mendigam o pão de cada dia. São as vozes dos nossos irmãos, com os quais Jesus Cristo se identifica. Ouvir as suas vozes é ouvir a voz de Cristo!
Santo e Feliz Natal para todos!
+ José, Arcebispo de Évora
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